Destaque // Ex-aluna Nicolle Matos Costa ao Colégio Literato

27-02-2010


A ex-aluna Nicolle Matos Costa elaborou uma carta para o Colégio Literato.

 

Ao Colégio Literato,


Pensei bastante em como poderia demonstrar toda a minha gratidão ao Literato e tornar público tudo que este colégio representa para mim. Pensei, pensei, pensei.  Não encontrei forma melhor do que esta. Afinal, o Literato ensinou-me a colocar no papel o que penso, o que sinto, o que sou. Foi onde aprendi a segurar o lápis pela primeira vez, escrevi vogais e consoantes, assinei o meu nome, formei frases, histórias, textos. Aprendi a colocar minha visão sobre o mundo no papel. Aprendi a ler, bem cedo fui apresentada aos livros e passei a devorá-los. A leitura virou um vício, depois tornou-se um hábito. Aprendi a usar as palavras e entendi o poder que elas têm, o fascínio que exercem sobre todos nós. Fiz prova oral, apresentei trabalhos, aprendi a falar em público sem constrangimento e percebi o poder da comunicação. No Literato, descobri e encantei-me com a linguagem.

Pensei em ser jornalista.  Ganhei um prêmio promovido pelo Jornal Imparcial com um texto sobre a Guerra do Afeganistão, tirei 100 na redação no Enem e até hoje sou apaixonada pela leitura, hábito que desenvolvi durantes anos no colégio. Acho que poderia realmente ter escolhido o jornalismo, mas o Literato me ensinou muito mais do que ler e escrever. E isso influenciou as minhas decisões, resolvi mudar de “futura profissão”.

O Literato ensinou-me a conviver com pessoas muito diferentes de mim, a respeitar as diferenças, os limites de cada um, sem julgamentos. Fiz amigos que me acompanham até hoje. Alguns destes já são pais e mães de alunos do Literato. Ensinou-me sobre respeito, lealdade, equidade, igualdade, solidariedade, justiça, perseverança e outros valores essenciais para a vida. Ensinou-me a não temer os desafios e a lutar para vencê-los. Aprendi que muitas vezes ganhamos, mas que perder faz parte da vida. Aprendi que cada ser humano é único, importante e que tem um valor inestimável. Aprendi! Aprendi e decidi ser médica, cuidar de gente, salvar vidas, fazer a diferença. Um sonho, um desafio. O Literato sonhou comigo. Sonhou, sofreu, lutou e realizou! Passei em primeiro lugar em Medicina na Universidade Federal do Maranhão no ano de 2002.

Comecei o curso e tudo aquilo que aprendi no Literato, eu carreguei comigo. Continuei apresentando trabalhos em Congressos, publicando artigos científicos, escrevi minha monografia, precisei defendê-la. Tudo como o Literato me ensinou. Examinei o paciente pela primeira vez, fiz diagnósticos, solicitei exames, aprendi a tratar doenças e a cuidar das pessoas. Sempre com respeito, solidariedade, igualdade… Como o Literato ensinou.

Passaram-se 6 anos, final do ano de 2007. A formatura aproximava-se e enquanto isso precisava prestar os exames para ingressar no programa de residência médica. Novo desafio… Pouco antes da formatura, recebi o resultado.  Tornei-me  médica e residente de Clínica Médica na Santa Casa de São Paulo. Alegria em dobro! 

Mudei-me para São Paulo, para ficar dois anos em um hospital enorme, rodeada por filas de pacientes, em um dos maiores serviços de urgência e emergência do país.  Adrenalina o tempo inteiro! Aprendi a conversar com familiares ansiosos, a dar boas e más notícias para meus pacientes, a rir e a chorar com eles. Aprendi sobre sepse, infarto agudo do miocárdio, parada cardiorrespiratória. Salvei vidas e ganhei chocolates, panos de prato e muitos agradecimentos. Perdi pacientes e precisei consolar muitos pais, mães e filhos, mesmo com o meu próprio coração em pedaços. Os ensinamentos do Literato me acompanharam a todo instante.

Ao final destes dois anos, decidi fazer Dermatologia, uma das especialidades mais concorridas da área médica. Outro desafio...  Mais algumas horas de estudo, mais provas.  Prova teórica discursiva, prova prática oral, entrevista com os chefes do serviço. Acabo de receber a notícia, sou a mais nova residente de Dermatologia da Santa Casa de São Paulo! Estou muito feliz!

O Literato fez parte de cada uma das minhas conquistas e faz parte da minha história. Sempre foi assim e sempre vai ser. Em cada palavra escrita nos prontuários, em cada artigo científico publicado, em cada livro que leio, em cada apresentação em público, nas provas que ainda estão por vir… Na forma de tratar os pacientes, de falar a verdade sobre um diagnóstico difícil, na hora de dar esperanças, no jeito de enxergar a vida… Sempre há uma lição aprendida no Literato.

E como poderia agradecer tudo isso? Com uma palavra que o Literato me ensinou a escrever: Obrigada!

Nicolle Matos Costa